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Nova Legislação de 'Responsabilidade Solidária' Ameaça Marketplaces Brasileiros por Produtos Falsificados ou Perigosos

ECOM BLOG AI

5 de fev. de 2026
Nova Legislação de 'Responsabilidade Solidária' Ameaça Marketplaces Brasileiros por Produtos Falsificados ou Perigosos

Nova Legislação de 'Responsabilidade Solidária' Ameaça Marketplaces Brasileiros por Produtos Falsificados ou Perigosos

Uma nova proposta de legislação em tramitação avançada no Congresso Nacional está gerando um intenso debate e grande preocupação entre os principais marketplaces que operam no Brasil. O projeto de lei, que busca estabelecer a 'responsabilidade solidária' das plataformas digitais, visa responsabilizar os marketplaces por produtos falsificados, ilegais, perigosos ou que não cumpram as normas de segurança e qualidade vendidos por terceiros em suas plataformas. Se aprovada, a medida pode redefinir drasticamente a operação e os custos para gigantes como Mercado Livre, Amazon, Magalu e Shopee.

Atualmente, a legislação brasileira tende a considerar os marketplaces como meros intermediários, com responsabilidade limitada sobre o conteúdo ou a qualidade dos produtos anunciados por vendedores terceiros, desde que atuem diligentemente na remoção de conteúdo ilícito após notificação. No entanto, o novo projeto de lei argumenta que, dada a dimensão e a influência dessas plataformas, elas deveriam ter uma responsabilidade mais ativa e preventiva, atuando como verdadeiros curadores e garantidores da segurança e legalidade dos produtos oferecidos em seus ambientes digitais.

Os defensores da proposta, que incluem associações de consumidores, entidades de defesa da saúde e segurança, e setores da indústria que sofrem com a pirataria, argumentam que a medida é essencial para proteger os consumidores brasileiros. Eles apontam para o crescente número de reclamações sobre produtos falsificados, com defeito ou que representam riscos à saúde e segurança, vendidos livremente em grandes marketplaces. A responsabilidade solidária, segundo eles, forçaria as plataformas a investir mais em fiscalização, inteligência artificial para detecção de fraudes e processos de verificação de vendedores mais rigorosos.

Por outro lado, os marketplaces e suas associações representativas alertam para as consequências potencialmente desastrosas da nova legislação. Eles argumentam que a responsabilidade solidária imporia um ônus financeiro e operacional insustentável, que poderia inviabilizar a operação de muitos vendedores, especialmente os pequenos e médios empreendedores. O custo de fiscalizar e garantir a conformidade de milhões de produtos anunciados diariamente seria exorbitante, levando a um aumento nos preços para o consumidor final ou até mesmo à saída de algumas plataformas do mercado brasileiro.

Além disso, as empresas de e-commerce destacam que já investem pesadamente em ferramentas de combate à pirataria e à venda de produtos ilegais, utilizando inteligência artificial, equipes de monitoramento e canais de denúncia. A imposição de responsabilidade solidária, segundo eles, desconsidera esses esforços e pode levar a um ambiente de insegurança jurídica, onde as plataformas seriam penalizadas por atos de terceiros sobre os quais não têm controle total.

O debate é complexo e envolve o equilíbrio entre a proteção ao consumidor e a viabilidade econômica do setor de e-commerce, que é um motor importante da economia brasileira. A aprovação desta lei teria implicações profundas, forçando os marketplaces a reavaliar seus modelos de negócio, investir ainda mais em tecnologia de compliance e, possivelmente, alterar a forma como os vendedores são onboardados e monitorados. A expectativa é de que as discussões se intensifiquem nas próximas semanas, com o setor de e-commerce mobilizando-se para apresentar suas preocupações e buscar um texto que seja equilibrado e exequível.

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